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Por que uma tonelada de carbono pode valer US$ 2,5 ou US$ 1.000?

  • Foto do escritor: Sergio Marcondes
    Sergio Marcondes
  • 24 de jun.
  • 3 min de leitura

Novo briefing executivo da Blend Group destaca o que realmente explica a precificação dos créditos de carbono, e por que o Brasil entra em uma janela de valorização.


No mercado de carbono, duas toneladas de CO₂ podem ter exatamente o mesmo efeito declarado e preços que diferem em centenas de vezes. Um crédito florestal de evitação no Brasil chegou a transacionar a cerca de US$ 2,5 por tonelada no início de 2025. No outro extremo, créditos de captura direta de ar são referenciados entre US$ 500 e mais de US$ 1.000. O que justifica esse abismo?

É exatamente essa pergunta que orienta o novo briefing executivo da Blend Group, "Tipos de créditos de carbono e formação de preços". Em seis páginas, o documento sintetiza como cada categoria de crédito é precificada, quais variáveis explicam as diferenças de valor e que forças devem orientar a trajetória de preços até 2030 — com uma âncora regional clara na América Latina e no Brasil, onde o mercado regulado começa a redefinir o horizonte de oferta e demanda.



Alguns destaques do documento


Não é o setor que define o preço, é a natureza do efeito climático. O briefing mostra que a divisão mais relevante não está entre floresta, aterro ou tecnologia, mas entre evitar emissões e remover carbono já presente na atmosfera. Remoções duráveis valem estruturalmente mais — e a diferença vem crescendo.


O preço se organiza em camadas. O documento consolida faixas de referência para 2025–2026: créditos REDD+ de projeto na base (US$ 4 a 8), reflorestamento e restauração no meio (média em torno de US$ 22, e cerca de US$ 38,7 no Brasil), e remoções tecnológicas como biochar (US$ 130 a 180) e intemperismo acelerado de rocha (acima de US$ 200) no topo.


Certificação virou mecanismo de preço. O selo Core Carbon Principles (CCP) deixou de ser requisito de entrada para se tornar diferenciador de valor: créditos rotulados negociam com prêmio estimado em até 25%. Dentro de uma mesma categoria, a nota de qualidade pesa — projetos REDD+ com classificação BBB transacionaram a cerca de US$ 9,4, contra US$ 4,0 dos projetos nota B.


O mercado está se bifurcando. Projeções situam o preço de cestas de remoção em torno de US$ 83 por tonelada hoje, com elevação para cerca de US$ 115 no início da década de 2030, e estimam expansão do mercado de remoção de cerca de US$ 2 bilhões para até US$ 50 bilhões em 2030. Créditos de alta integridade tendem a se valorizar; os de baixa qualidade seguem sob pressão.


O epicentro regulatório é brasileiro. A Lei 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), e a proposta jurisdicional do Amazonas sob a arquitetura ART/TREES pode entrar em operação em 2027 e gerar até 200 milhões de toneladas em créditos — reposicionando o REDD+ jurisdicional brasileiro em uma faixa de preço e credibilidade superior.



Uma janela de valorização para a região


A leitura que o briefing propõe é direta: a combinação de ativos florestais de escala, marco regulatório em maturação e demanda global por remoções de alta integridade configura uma janela de valorização para créditos latino-americanos que conjuguem permanência verificável e cobenefícios sociais robustos. Para quem investe, estrutura projetos ou compra compensações, entender essa lógica deixou de ser opcional.

O documento completo traz o quadro de faixas de preço por tipo de crédito, a análise dos cinco fatores determinantes da precificação e as referências de mercado que sustentam cada projeção.





 
 
 

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